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29 de julho de 2011




A sensibilidade, a consideração, o olhar o outro.


Tudo tão essencial, tudo tão raro, tudo tão efêmero...



(Danimfuga)

“Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la.
Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria.
É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais.
Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo.
Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos.
Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática.
E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar."

(Clarice Lispector)

"Eu gosto de pessoas inteligentes que enxergam o mundo com humor. Tem muitas pessoas em quem eu bato o olho e penso: deve ser legal ser amiga dele. É gente que não carrega o mundo nas costas, que fala olhando nos olhos, que não se leva tão a sério, que é franca na hora do sim e na hora do não. É difícil sacar as qualidades de uma pessoa sem antes conhecê-la, mas intuição existe pra isso. Tenho vários amigos que enriquecem minha vida e se encaixam no meu conceito de “pessoas especiais”, mas meu coração é espaçoso e está em condições de receber novos inquilinos."
(Martha Medeiros)
"...Como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos.
Em construir castelos sem pensar nos ventos.
Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim.
A manter meu buquê de sorrisos no rosto, sem perder a vontade de antes.
Porque aprendi, que a vida, apesar de bruta, é meio mágica.
Dá sempre pra tirar um coelho da cartola.
E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos."
(Caio Fernando Abreu)

28 de julho de 2011


‎”Que eu tenha sempre comigo: Colo de mãe. Abraço apertado. Riso de graça. Brilho no olho. Amor quentinho.
Tristeza que passa. Força nos ombros. Criança por perto. Astral bonito. Prece nos lábios. Saudade mansinha.
Fé no futuro. Delicadeza nos gestos. Conversa que cura. Cotidiano enfeitado. Firmeza nos passos.
Sonhos que salvam.
Livrai-me de tudo que me trava o riso.”

-Caio Fernando Abreu


''Não fique trancado demais em casa, atenda o telefone
e vá sempre que puder
ver o pôr-do-sol ...

Se alguma vez, por descuido ou coisa assim, ouvir It’s impossible,
pense em mim. Ou não.
E se a saudade bater, escreva uma carta que pode ser cheia de queixas, ou cheia de sol.
Será bemvinda. Te gosto sempre.

Um beijo Caio''

(Caio Fernando Abreu)

26 de julho de 2011


"Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito."

(Caio Fernando de Abreu)



"Somos desfeitos pela verdade.
A vida é um sonho.

É o despertar que nos mata.
Quem nos rouba os sonhos rouba-nos a vida (...)"


(Virginia Woolf)

O jogo da vida


A vida é mesmo uma eterna busca pela aceitação, desde o momento em que nascemos até o momento em que morremos.
Quando nasce a ovelhinha de cor diferente, ela torce para que a mãe não a rejeite.
Quando crianças, queremos ser o amigo mais legal para que os coleguinhas nos queiram por perto.
Na adolescência, queremos participar de um determinado grupo, onde seremos aceitos e inseridos em suas atividades, para nos sentirmos parte de algo.
Logo, nos apaixonamos e desejamos ardentemente sermos correspondidos naquele amor avassalador e urgente.
Quando adultos, precisamos ser aceitos a cada passo que damos: nos estudos, no trabalho, nas amizades, nos amores, na família.
Uma simples plantinha que teima em nascer num árido terreno, precisa ser aceita pela terra para que ela o alimente e o faça crescer.
Até pra morrer e ir para o Céu precisamos passar por provações que irão nos avaliar e decidir se merecemos ou não.
Como se para cada novo passo dado em nossas vidas, precisássemos parar e esperar a grande resposta a nossos ansceios: sim, você passou no teste, avance uma casa. Ou então espere a próxima rodada, avance 5 casas, retorne 3,... tal e qual os jogos da infância.
Parece injusto pensar que para evoluir e alcançar nossos objetivos de vida, tenhamos sempre que estar reféns da vontade alheia, precisamos sempre esperar que outras pessoas nos digam se somos bons o suficiente. Mas é real.
Devemos ter em mente desde muito cedo que nossas escolhas irão nos guiar, mas são os outros que irão decidir se podemos ou não possuir aquilo que desejamos. Seremos sempre avaliados, testados, investigados, e só então rejeitados ou aceitos naquilo que almejamos.
Bom seria se nada disso fosse necessário, mas a realidade é simples. Você deve agir, esperar a resposta, e ir em frente. Ou então recuar, mudar o caminho, ou simplesmente parar por um tempo, para ter a chance de analisar com mais exatidão qual será a melhor jogada, a melhor forma de ultrapassar o obstáculo.
Estudar as possibilidades, arquitetar um plano, bolar uma estratégia. E quando menos se espera, lá vamos nós para a próxima fase.
Quem disse que seria fácil. Viver é dar a cara a tapa, é receber sins e nãos, é ser rejeitado e acolhido, é ganhar e perder. É estarmos preparados para encarar tudo isto de cabeça erguida, nos guiando através de nossos princípios, de nossa vivência e de acordo com nossos valores e convicções.
E se lá na frente olharmos pra trás e percebermos que nossas escolhas foram mais aceitas do que recusadas, então poderemos pensar que o caminho que escolhemos seguir era realmente aquele que nos estava destinado, de alguma forma, em algum lugar, e por algum motivo... Talvez.
(Danimfuga)


"Deve ser boa a vida de peixe de aquário, murmurei.
- Deve ser fácil. Aí ficam eles dia e noite, sem se preocupar com nada, há sempre alguém para lhes dar de comer, trocar a água... Uma vida fácil, sem dúvida. Mas não boa. Não se esqueça de que eles vivem dentro de um palmo de água quando há um mar lá adiante.
- No mar seriam devorados por um peixe maior, mãezinha.
- Mas pelo menos lutariam. E nesse aquário não há luta, filha. Nesse aquário não há vida."

(Lygia Fagundes Telles)

"É no olhar, sobretudo, que a amizade se confirma. É no jeito de olhar que nos reconhecemos no primeiro momento, nós, amigos recentes de longas datas. Isso porque amigo tem esse olhar bom: ele nos olha como se realmente quisesse nos ver, sem nenhum outro interesse que não seja a oportunidade boa e rara de partilhar amizade. Ele nos vê e permanece ao nosso lado, esse conforto que palavra alguma é capaz de traduzir. Esse detalhe grandioso que faz toda a mágica acontecer, porque amar é também a arte de cuidar com os olhos."

(Ana Jácomo)

"Não era qualquer coisa que iria endireitar meu espírito. Nem qualquer sacanagem que me encantaria. Ou qualquer meio beijo que me faria ficar. Eu precisava de outras coisas pra topar fechar os olhos e pular no abismo de alguém. Precisava de céu que significasse mais do que um azul infinito, precisava entender porque eu queria tanto ver o mar. E precisava de alguém que não quisesse fazer meu coração em picadinhos pra caber no próprio peito, e aceitasse ele inteiro, gigante."

(Camila Heloíse)

24 de julho de 2011


Cada vez mais percebo a busca incessante das pessoas ao encontro do seu verdadeiro lugar no mundo. Um pedacinho da Terra onde a felicidade, a tranquilidade e a plenitude moram, onde se encontrará o sucesso profissional, lugares bonitos pra passear, pessoas incríveis para conhecer e conviver.
Penso que tudo é adaptação, porém há um tempo pra isso. As vezes a tentativa dura anos e anos, e mesmo assim você não consegue se encaixar, sente-se encomodado e anseia freneticamente para que algo aconteça e apareça outro lugar melhor pra se viver.
Acho que somos seres errantes. Não nascemos com o dom de esquentar cadeira, a complascência não nos satisfaz, estamos sempre em busca de algo que nos preencha, da plenitude, e sair do lugar em que estamos parece ser nosso objetivo permanente.
Então muitas vezes queremos viver em outros lugares e como não podemos, começamos a divagar. Pois bem... quem sabe mudar de carro, de casa, de emprego, de cabelo, qualquer coisa vale.
É como se tivéssemos a necessidade constante de nos reinventarmos de alguma forma, de nos vermos em diferentes embalagens, com diferentes horizontes a vislumbrar.
O ser humano na verdade é um eterno insatisfeito. Passa a vida buscando: mais dinheiro, mais felicidade, mais prazer, mais, mais, mais.
Precisamos entender que vivemos de fases, de momentos, e termos uma visão estratégica de nós mesmos nos faz direcionar nossos esforços para aquilo que realmente valerá a pena.
Quando algo nos inquieta, nos instiga a mudar, deveríamos nos transportar mentalmente para o alto da montanha de nós mesmos, onde podemos enxergar nossas vidas como um todo, analisar as curvas, as paradas, os obstáculos que foram vencidos, as vitórias, os buracos que caímos...
E só então chegarmos à conclusão de que realmente aquilo que tanto queremos está na hora exata de acontecer. E só então veremos o real tamanho da nossa vontade, da nossa sede de mudanças.
Se depois de tudo isso a inquietude continuar, então isso quer dizer que chegou a hora.
Arregace suas mangas e vá em frente, por que a vontade, o entusiasmo e a busca é tudo o que precisamos para sermos capazes de concretizar nossos desejos e objetivos.
Só você sabe aquilo que realmente te fará feliz...
(Danimfuga)


23 de julho de 2011


"É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque em uma não foi atendido, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou.
É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel.
É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras.
Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim um recomeço!"

(O pequeno príncipe - Antoine de Saint-Exupéry)

20 de julho de 2011


"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também"

(Oswaldo Montenegro)


As vezes eu acho que gosto demais das pessoas.
Mais do que deveria, mais do que elas mereciam...
Mas sou assim, quando eu gosto, eu gosto e pronto.
Fazer o que...

(Danimfuga)

"Hoje, com toda minha birutice e uma vontade de aprender que não acaba, eu pego minhas fraquezas. Deixo-as enfileiradas.
E as estudo como se minha vida dependesse disso.
É.
Com o auto-controle nas mãos, um depósito debaixo do braço e nossos inimigos internos dormindo, podemos - quem sabe? - nos tornar guerreiros impecáveis.
Ou - se não - apenas sorrir mais.
O que pra mim já vale a luta.
Ou uma vida inteira."

(Fernanda Mello)

18 de julho de 2011


"Porque é isso: o amor, primeiro, é toque na pele arrepiada de encanto que reveste a alma. Depois, sopra o seu arrepio pra pele encantada que reveste o corpo. Então, acontece o milagre do corpo e da alma se encontrarem, se abraçarem, e se misturarem num encanto só."

(Ana Jácomo)


"Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas."

(Martha Medeiros)

"A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada."

(Lya Luft)

O aconchego


Todo dia cinzento me desperta uma vontade eu diria curiosa, comer pipoca com melado.
Sim, aquela coisa bem doce, melada, crocante e saborosa, que me remete a lembranças da minha infância, que me conforta a alma e me faz pensar que não importa onde estamos nem a quantas anda nossa vida de inesgotáveis e inconstantes emoções...
Quando tudo fica cinza, sempre podemos nos agarrar a momentos coloridos, confortáveis e com cheiro bom, que nos enternecem e nos fazem voltar pra casa, nem que seja por alguns instantes.
Pipoca com melado, as músicas prediletas, bolinhos de chuva, a luz do abajur, o barulho da chuva, um café bem forte, um filme interessante, o bom e velho chocolate, um bom livro, um chá bem quentinho, um cobertor, um aconchego...
Uma concha que seja só nossa e nos faça sentir vivos, tranquilos, cuidados...
Onde possamos nos esconder, sem pressa, sem constrangimentos, sem porquês.
Apenas deixar-se levar pelas boas sensações, e só.

(Danimfuga)

"...Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo."

(Verônica H.)

17 de julho de 2011


“As crises não afastam os amigos, apenas os selecionam.”
(Augusto Cury)

16 de julho de 2011


"Eu não sou linear. Eu não sou uma pessoa terminada, eu não quero rótulos nem roteiros prontos, não existe começo nem fim em mim. Eu existo. Não sou produto, sou só coração. Vivo em um meio que me parece eterno. Um meio que me faz escrever, ser e mudar a cada dia. Se eu começasse a escrever minha vida, seria assim: … Percebe? Eu sei que sim. Eu sou reticências. Sou 3 pontinhos. Sou o não-dito. Sou emoção e desejo. Palavras são o meu antídoto. Anti-monotonia, anti mau-humor, anti todo o amor que não há."
(Fernanda Mello)

"Tenho um instinto só meu.
Gosto de viver assim, sem limites, fazendo a vida se moldar em mim.
Brinco com o tempo, contrariando sua exatidão.
Nada pode ser sério demais.
Sigo os ponteiros do meu coração.
Sou de um jeito exagerado,
Sou o espanto por não ter na fala a pausa precisa.
Sou borboleta arisca, que arrisca,a espera da flor mais bela.
Sou a cada minuto, a sugestão de um momento.
Sou sentimento, apego,carinho,a falta.
Por quanto tempo eu viver, seguirei achando que ainda não amei o suficiente.
Sou só eu mesma a todo instante."

(Patty Vicensootti)


Não foi à toa que Adélia Prado disse que "erótica é a alma". Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. O corpo só é erótico pelos mundos que andam nele. A erótica não caminha segundo as direções da carne. Ela vive nos interstícios das palavras. Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: "continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?"

(Ruben Alves)

"Que passe o tempo... Que ele escreva as linhas e deixe para mim somente a prazeirosa função de pontuar frases. Muitas exclamações, algumas interrogações e apenas um ponto final, que eu deixei reservado para ti, Deus! Faze o que quiseres com ele. É teu."

Lucas Silveira

"Eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta.
Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro... acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso."

(Marla de Queiroz)

“O silêncio e a tolerância são o vinho dos fortes, a reação impulsiva é a embriaguez dos fracos. O silêncio e a tolerância são as armas de quem pensa, a reação instintiva é a arma de quem não pensa. É muito melhor ser lento no pensar do que rápido em machucar.”
Augusto Cury

15 de julho de 2011


"Vivo imaginando que de repente vão aparecer fadas ou gênios na minha frente para perguntar o que eu desejo. "

(Caio Fernando Abreu)



"...De tudo durante a vida
sempre valerá a pena
todo perder, todo ganhar
todo partir, todo ficar
todo encontro, todo desencontro
todo choro, todo riso
a vida é mesmo isso
mesmo que a gente não veja
há tempos de cegueira passageira
em que os olhos serão esquecidos
mas por todo sonho que será sonhado
valerá à pena ter adormecido"

(Cáh Morandi)

"No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz..."

(Tati Bernardi)

14 de julho de 2011


"...Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada...

Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.

Pra enrolação...atalho."

( Martha Medeiros )

13 de julho de 2011

Este texto é um verdadeiro choque de realidade a nós, pais que acreditam que poderão livrar seus filhos de toda e qualquer frustração, preferindo esconder que um dia as dificuldades virão, e para os filhos que cresceram sem saber lidar com tudo isso. Uma verdadeira aula.

(Escrito por ELIANE BRUM,Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).


"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.


Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.


Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.


Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.


Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.


É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?


Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.


Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.


Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.


A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.


Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.


Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.


Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.


Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.


O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.


Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.


Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.


Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba."


Carinho De Deus


Uma das coisas que mais admiro no ser humano são os seus dons artísticos.
Me tomo por um encantamento inebriante ao observar aquelas pessoas que cantam como um anjo, escrevem com doçura e sabedoria, pintam com suas cores extraordinariamente belas, desenham com perfeição quase irreal, dançam como plumas dotadas de alma...
Cada vez que percebo algum talento desses apresentando-se aos meus olhos, meu coração pára e é como se Deus estivesse falando comigo naquele momento. Como se tivesse a absoluta certeza de que a mão Dele está acenando pra mim através daquela pessoa... E está, eu acredito...
Pois só Deus para poder explicar as coisas lindas que o ser humano é capaz de fazer, é a forma que nos faz despertar por alguns instantes e lembrar que a mão Dele está sempre por perto, nos cuidando, nos guiando, nos acompanhando, nos fortalecendo...
Acredito que Deus tem um forma toda especial de falar com cada um de nós...
Um dom, um sorriso, um abraço, o cheiro de um filho (a forma mais perfeita), o canto dos pássaros, o barulho da chuva, o sabor de uma fruta, o balanço do mar, um céu estrelado, um campo florido, é tanto carinho de Deus para nós que se torna impossível não ver o quanto Ele se faz presente em nossas vidas, sempre, e das mais diversas formas.
Eu acredito...
(Danimfuga)

12 de julho de 2011


"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?
E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."
Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."


(Luís Fernando Veríssimo)

''A água é uma compositora unânime.
Reclama-se da chuva, mas ninguém reclama do barulho da chuva.

A casa de taipa traz a melhor audição. Chuva boa, cheirosa e oleira.
As paredes estremecem de manso.
Somos postos mentalmente naquele berço de madeira antigo, com base abaulada de cadeira de balanço. A mão líquida acaricia o ouvido e nos embala de um lado para o outro da memória.
Na chuva, observar é lembrar.
O vento é uma coberta que nos esfria e a constância das notas aumenta a vontade de permanecer quieto no mesmo lugar. Não se mexer é descobrir que a pedra tem suas alegrias.

Ao contrário da crença popular, o telhado de zinco não ajuda a sinfonia. A hipersensibilidade da superfície atrapalha. Garoa vira tempestade, gota vira grito. É uma invasão, não uma visita. Não diferenciamos as cortinas d’água com as pancadas dos raios. Já vi criança estressada, com insônia, pedindo para ficar na cama dos pais.

Cada um acalenta sua caixinha de ninar..."

(Carpinejar)