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30 de agosto de 2011


"Se alguém me perguntar quando comecei a sentir a minha vida mais interessante,
eu tenho a resposta na ponta da língua: quando comecei a me interessar mais por mim.
A ser mais gentil comigo. [...] Quando comecei a me enjoar da mania de tentar entender tanto e abri o coração para apreciar mais.
Quando comecei a buscar conforto em estar na minha companhia."
(Ana Jiácomo)

28 de agosto de 2011


"Se você soubesse como gosto de suas cheganças,
você chegaria correndo todo dia."

(Chico Buarque)

"Eu nunca vi um anjo.
Olhos que vêem anjos são olhos especiais, dádivas dos deuses, não são todos que os possuem.
Eu não sou um deles.
Mas os deuses me dotaram de um outro órgão para sentir os anjos: o nariz.
O nariz é o meu órgão angelical.
Eu não vejo anjos. Eu cheiro anjos.
Para mim os anjos são seres nasais.
Eles se me revelam sob a forma de perfumes.
Vou andando solidamente pela rua, imersa em meus pensamentos comuns.
Repentinamente, uma súbita fragrância enche a minha alma.
Fico leve, perco a solidez, crescem-me asas nas costas e sou instantaneamente transportado para um não-sei-lá-onde onde fui feliz.
Aquela felicidade perdida me é devolvida.
Como o acontecido não foi resultado de coisa que eu tenha feito, não acho descabido imaginar que o responsável tenha sido um anjo perfumado, meu amigo..."

(Rubem Braga)

"Ela é uma menina com uma flor, diria Vinícius.
Mas eu digo mais.
Digo, então, que ela é uma menina com uma flor e seus encantos.
Tipo bruxa que faz magia pro bem.
E ela é assim, mesmo fragmentada depois da luta, ela parece toda inteira.
Porque leva no bolso aquele monte de girassóis que eu lhe enviei por meio do vento.
E nos lábios carrega, ainda, aquela prece poderosíssima:
"Andarei vestida e armada com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem em pensamento eles possam me fazer mal."
E, assim, ninguém a alcança.
Vai ver porque ela não é mesmo daqui.
Veio de qualquer outro mundo distante, onde o coração pesa mais na balança.
De um lugar onde se trocam carinhos na alma.".
.
(Cris Carvalho)


"Nos dias de hoje é natural as pessoas duvidarem do que somos, da veracidade do que escrevemos,
dos sorrisos que retratamos.
É mais fácil acreditarem que somos personagens, que somos mascarados.
Isso não me aborrece.
Cada um só pode oferecer aquilo de que é repleto."
(Renata Fagundes)
.

"Se é o que queres ouvir, lá vai: sim, me reconheço indigesta.
Sou. As vezes sou intragável.
Digo a verdade que fica entalada na garganta alheia, mas funciona como anti ácido para o meu estômago,
enfezado e retorcido com sinceridades borbulhantes.
Ora, que a verdade seja dita!
Escutar é opcional, gostar igualmente. Falo se tiver permissão, não cuspo desaforo.
Sei que uma mentira desce mais suave.
Paciência, o que não mata fortalece e melhora a digestão.
Sei também que a verdade me deixa nua, transparente, mas me veste muito bem.
Há quem diga que fico nas mãos dos outros quando sou sincera.
Eu digo que a verdade não me deixa presa em mim."
(Paulinha Leite)

25 de agosto de 2011


MANIFESTO: "QUERO MEU LADO MULHERZINHA DE VOLTA……”

"Primeiramente devo dizer: a culpa não é de ninguém.
Não me atirem pedras, nem queimem meus sutiãs que me são tão raros, caros e meus.
Ando pensando muito na questão ying/yang na sociedade e dentro de nós e o que eu vejo não são mulheres independentes e felizes com seus novos papéis, nem homens satisfeitos com um ter-que-ser que não combina com seus antigos moldes.
O que enxergo são homens e mulheres perdidos e insatisfeitos, loucos por colo e amor, e loucos de saudade.
Eu quero ser mulher de novo, estou cansada de virar homem tantas vezes ao dia, tendo que resolver a vida e o mundo.
Tenho que trabalhar, pagar contas, impostos, saber tudo sobre contabilidade, escrever, recitar Vinicius, ter uma bunda dura, um cabelo macio, quinhentos e cinqüenta e cinco cheiros gostosos pelo corpo, pés e mãos bem feitos, saber o que está passando no cinema, ler de Sartre a Vogue, ajudar a família e amigos, colocar os quadros novos na parede, responder e-mails e estar linda e com a pele fresca para quando aquela pessoa que você joga charme há meses te chamar pra sair.
...
Vivemos num momento de transição e conflitos, mas fica difícil de entender.
Nada mais normal.
Eu, por exemplo, trabalho, tenho minha casa, sou forte por acaso, mas tenho meu lado mulherzinha que não me deixa.
Sou emotiva, sensível, choro à toa, rodo a baiana mas espero o telefone tocar, tenho meus nhem nhem nhens e estou cansada.
Cansada de ser racional.
Cansada de ser "bem resolvida", cansada de tomar a iniciativa, cansada de ser homem em cima do salto.
Por isso, em nome do meu equilíbrio,
Da falsa modernidade e dessa bagunça que virou um simples abrir-e-fechar de portas, eu me atrevo a dizer: toda mulher tem seu lado mulherzinha.
Rapazes, sejam fortes e persistentes, nós somos complicadas, mas contamos com vocês."
[Marta Medeiros]


‎"Fiquei assustada quando todo mundo começou a falar ao mesmo tempo.
Percebi que a maioria do que se dizia nunca deveria ter sido dito. Sobrava.
E que poderiam ter ficado impronunciadas para sempre.
Percebi, principalmente, que muitas de nós não queriam ouvir.
Só falar. Poucas eram aquelas que realmente desejavam escutar a experiência da outra, a voz da outra.
A maioria só queria contar da sua. Dias de silêncio não tinham sido suficientes para acabar com nossa surdez à voz alheia..."
(Eliane Brum)

24 de agosto de 2011


"Porque é preciso ter os gestos que reconstroem vidas.
E ser semente que germina para multiplicar.
Eternizar os instantes.
Perceber a beleza escondida, os pequenos milagres, as pequenas felicidades certas.
Reconhecer o singular."

(Cecília Braga)

23 de agosto de 2011


‎"...Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos entram e saem, nunca sei aonde fui parar. Mas uma coisa eu digo: eu não páro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou. Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo. Sempre pergunto se você está feliz, se eu estou linda, se eu vou ganhar estrelinha, se eu posso levar pra casa, se eu posso te levar pra mim, se o café ficou forte demais. Eu sou assim. Nada de meias-palavras. Já mudei, já aprendi, já fiquei de castigo, já levei ocorrência, já preguei chiclete debaixo da carteira da sala de aula, mas palavra é igual oração: tem que ser inteira senão perde a força.Sou menina levada, princesa de rua, sou criança crescida com contas para pagar. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu... Beijo escondido, faço bico, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando dói, choro quando não dói. E eu amo. Amo igual criança. Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras. A-M-O. Amo e invento. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Sem censura. Sem pudor..."
(Fernanda Mello)

"...Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.'
(Caio F. Abreu)

"E, mesmo quando o vento consegue derrubar um dos meus pilares, me alegra ver que tenho gente pronta pra me reformar. São remendos, rebocos, estacas e escoras... Guardo comigo esses remendos, bem como a fisionomia de todos que se prontificaram a me arrumar. E sempre que faz sol eu saio pela rua pra erguer paredes que caem a todo minuto. Retribuir."

(Lucas Silveira)

22 de agosto de 2011


"O meu amor por você é inédito. Novo e maduro – como pode? Penso, sinto e quero você. Hoje, amanhã e na medida sem fim do tempo. Quando estou em silêncio e lembro que você existe eu sinto paz. Suspiro aliviada.

Quero vestir o seu abraço e sair com ele por aí, como um colete à prova de balas. Abraço longo, apertado, quente. Quero mais, me abrace mais. Mais um pouquinho.Vai sempre faltar abraço pra minha sede dele.

Sei que dentro de você moram sorrisos. Alguns você deixa escapar, os outros esconde no escuro, pra eu procurar. E eu gosto do jogo.


Gosto também das suas mãos nas minhas, das suas mãos tomando conta de mim. Não quero viver sem suas mãos por perto. Não sei aprender isso. É que esse meu amor inédito parece que nasceu junto comigo.
"

(Cris Guerra)

18 de agosto de 2011


"...Não seleciono minhas pessoas por cor,crença,ou qualquer outro tipo banal de rótulo.
As escolho pelo simples fato de Amar,ou não...À quem eu amo, é total!
Com defeitos,qualidades,com tudo...
Mas quem não amo,não detesto, não me desfaço. Simplesmente nada sinto.
É prepotência demais de alguns achar que eu os odeio...Minha vida tem amor demais para perder tempo com sentimentos pequenos."

17 de agosto de 2011




"Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."

(Vinicius de Moraes)



“Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou.

Pela sua capacidade de me olhar devagar,

já que nessa vida muita gente já me olhou depressa demais.”

(Fábio de Melo)

"Daí a gente acorda optando pela leveza, mesmo sabendo que ela pode durar pouco. E já não liga. Não liga porque sabe que o amanhã já existe dentro da gente."

(Solange Maia)

16 de agosto de 2011


"É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota,
do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito,
porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota,
estar motivando é essencial em todas as funções."
(Theodore Roosevelt)

Não quero ninguém que concorde comigo e ceda a todos os meus desejos, opiniões e anseios.
Quero o respeito e a satisfação de uma simples resposta, por mais contrária que ela seja.
Os nãos não me abatem.
Para mim, o silêncio é a falta de tudo...

(Danimfuga)

"A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém."

(Fernanda Young)

"Eu sei que eu abri mão de várias oportunidades. Sei que fiz pouco caso do amor que me entregaram de maneira pura e gratuita, só porque eu achava que podia encontrar coisa melhor. Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida. Vou embora querendo alguém que me diga pra ficar."

(Verônica H.)

"Queremos as coisas rápido demais,
sem entender que a primavera se prepara
debaixo do chão frio,
repleto de flores secas."

(Cáh Morandi)

"Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram."

(Clarice Lispector)

15 de agosto de 2011


"Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.

Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice. O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos: ganham mal, não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói.

Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive. No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão, mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana. Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.

Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas.

Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde. Até aí, conta-se com a providência divina. O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.

Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.

A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe. Tem gente que é infeliz porque tem um câncer. E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial. Os que têm câncer não têm sorte. Mas os outros, sim, têm a sorte de optar. E estes só continuam infelizes se assim escolherem."

(Martha Medeiros)

"Eu vou!
Não sei para onde
Mas vou!
Talvez me encontrar
E saber quem sou
Ou o que fui
Sem nunca ter sido
Um nada jogado na terra
Ou um ponto minúsculo
Perdido no infinito
Vou indo...
Indo e fugindo
Do que é ilusório
Do que é passageiro
Quem sabe eu encontre
No fim daquela estrada
Uma réstia de sol a iluminar
O sorriso que se apagou
E ninguém viu..."





14 de agosto de 2011


"Eu preciso aprender a ser menos. Menos dramática. Menos intensa. Menos exagerada. Alguém já desejou isso na vida: ser menos? Pois é. Estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranqüilizar a alma. Porque eu preciso. E preciso muito. Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó. Eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama. E eu vou... Com o coração na mochila, o lápis borrado, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou... Não digo: "estou indo", não digo: "daqui a pouco", nada tem hora a não ser agora. Existe aí algum remedinho para não-sentir? Existe alguma terapia, acupuntura, pedras, cores e aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento? Quer saber? Existe. Existe e eu preciso. Preciso e não quero."
Fernanda Mello

11 de agosto de 2011


Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?"

(Renato Russo)

10 de agosto de 2011


Mas quando olho teu sorriso, o brilho do teu olhar e sinto teu cheiro de céu, passo a ter certeza de que a vida vale a pena. Sempre.

(Danimfuga)

"Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui..."

(Renato Russo)


"Eu quero um colo, um berço, um braço quente em torno ao meu pescoço,
uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar. eu quero um calor no inverno,
um extravio morno de minha consciência e depois sem som, um sonho calmo,
um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas…"
(Caio Fernando Abreu)

"A gente tem que parar com essa mania de achar que todas as pessoas são iguais,
parar de ter medo de que toda história se repita e acabe da mesma forma como acabaram
algumas outras histórias frustrantes que a gente viveu.
Não vamos deixar o medo, e um passado de merda atrapalhar a nossa felicidade,
não podemos desistir um do outro assim tão fácil."
(Caio Fernando Abreu)

9 de agosto de 2011




'É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora.Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.'

(Ana Jiácomo)


"Aprendi também a não contar muito com os outros: na medida do possível, faço tudo só.
Dá mais certo."

(Caio Fernando Abreu)

8 de agosto de 2011


"Disse pra mim. Nenhum pio. Não vou falar nada. Já que sou tão imprópria, inadequada, boba. Já que nunca basto e se tento me excedo. Já que não sei o que deveria ou exagero em querer saber o que não devo. Nunca entendo exatamente, nunca chego lá, nunca ...sou verdadeiramente aceita pela exigência propositalmente inalcançável. Meu riso incomoda. Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca. Meu carinho é pena. Meu dengo é cobrança. Minha saudade é prisão. Minha preocupação chatice. Minha insegurança problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações boas matam o amor. As ruins matam o resto todo. Minhas críticas causam coisas terríveis. Minhas palavras cuidadas incomodam. Minhas palavras jogadas, mais ainda. Minhas opiniões sempre se alongam e cansam. Minhas histórias acabam sempre no egocentrismo ou preconceito. Meu sem fim dá logo vontade de encurtar. Minha construção, desconstrói. Meus convites quase nunca agradam. Meus pedidos sempre desagradam. Meus soquinhos de frases são jovens demais. Meu bombardeio de coisas sempre acaba em guerra. Minha paz que viria depois nunca chega, pois eu nunca chego. Minha voz doce assusta. Minha voz brincalhona é ridícula. Minha voz séria alarde. Nenhum pio. Disse pra mim. Falar do que sinto é, na hora, desintegrar com seu olhar. Então fico me perguntando sobre o que deveria dizer, se só sei o que sinto. Devo sentir por personagens de livros, filmes, jornais e ruas? É assim que se diz sem ser o que não importa de verdade? E se for o contrário? Mas pra dizer do contrário, fica sempre no ar, é melhor não dizer. Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim. Se digo algo sobre a vida dele, coitada de mim, achando que sei alguma coisa da vida. Se falo sobre a vida dos outros, que papo furado é esse? Se falo sobre coisas me sinto mais uma delas. Se provoco, eu que provoque sozinha porque ele não é trouxa de cair. Sobre livros, nunca são os que interessam. Sobre minha reportagem, nem quis ler. Meu trabalho nunca foi e nunca será da mulher dos sonhos. Meus sonhos evito falar, um medo de ser menina. Quieta. É assim que será. Se digo certo, isso logo acaba. Se digo certeiro, acabou. Se digo errado, nunca acaba. Se eu for mulher, mulher é um saco. Se eu for homem, homem só existe ele. Se eu for criança, fale com sua analista. Nenhum pio. Combinei comigo. Falar da gente pode? Pode, desde que, depois, eu tenha estrutura para ver toda uma massa desistente desabando sobre meu sofá pequeno. Nadinha. Não vou falar nada. Sobre dor não toca. Sobre prazer toca pouco. Nada. Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende. E se respondo, ofende mais. E se exclamo, minha vontade de viver soterra. E se são três pontinhos, não posso. Se começo preciso terminar. Mas quando termino, ele já não está mais. Se repito, quase explode. Se digo uma, sou boa de ser guardada em algum lugar que nunca vejo. Se não explico, pareço louca. Se explico, sou louca. Quieta. Isso! Você consegue! Se for o que eu penso, eu penso errado. Se for o que eu não penso, errei por não pensar. Se não for nada disso, eu que pensasse antes. Se estou animada, cuidado com a rasteira. Se estou desanimada, não tem mão pra levantar. Nada. Não vou sussurrar. Nem gemer. Nenhum som. Respiração muda. O silêncio absoluto. Olhando pra ele. Lembrando de quando ele me disse que é no silêncio que se sabe a verdade. E a verdade chega como um teto gigante que desaba numa cabecinha de vento. O que eu mais temia. O que eu não queria descobrir. Ela me diz. E o pior é que eu nem posso falar por ela. É tudo mentira."

Tati Bernardi.



"Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até."

(Caio Fernando Abreu)

"Caio, meu amigo

Preciso te falar de tanta coisa que acontece aqui na Terra por sua culpa... Primeiro do seu sucesso como escritor. Benzadeus, como te admiram aqui! Quero falar também da sua companhia na minha vida. Durmo - com Deus me deito, com Deus me levanto – e acordo com você – Que seja doce – já virou mania aqui. E no meio do dia, ainda consigo citar alguma frase ou pensamento seu pra algum ouvinte alheio e assustado. Nem preciso falar das pessoas que se reúnem por causa das suas obras. Daí de cima você deve ver. Aliás, como está por ai? Sabe que, tenho dúvidas desse lugar, não sei se o céu combina muito com você... E Cazuza, ta bem? Os vejo sempre numa nuvenzinha sentados, bebendo e fumando, falando da gente aqui em baixo! Só não brigue com São Pedro, é ele quem tem as chaves do inferno, vai que te manda pra lá... Lá tem fogo meu caro e não quero te ver arder, nem pensar! Mantenho um girassol, que tem seu nome, o bandido é bonito demais, e como todo bom Girassol, se arreganha em dias claros como hoje. Ah, como você é vivo ainda por aqui. Mas a gente tem tanta saudade... Falo a gente, porque somos muitos, né só eu que sou apaixonada por você, não. Você deixou textos e contos cheios de sinceridade, amor e coragem. Me fala, tem coisa mais bonita que isso? Amanhã vou passar por você e Cazuza e mandar um beijo, retribua, por favor, será um sinal de que a carta já chegou por ai. Vou me despedir agora, e espero nos encontrarmos um dia, prometo fazer silêncio e só espero uma risada linda e forte, assim como você. Pra terminar, repito o que Lya escreveu numa carta:‘Mas está comigo, como outros seres amados que se foram sem realmente partir.’
.
Guardo seu sorriso."

(Vanessa Leonardi)

"Não me explico.
Optei por sentir."

(Jaya Magalhães)

"Eu me lembrei que fugir, às vezes, é necessário para recuperar o fôlego. Para restaurar a força."

(Ana Jácomo)

"São delicados e sutis os fios da harmonia.
Ao contrário da alegria, do entusiasmo, ela é uma das sensações mais discretas.
(...) Feito um arco-íris depois da tempestade;
(...) E você tem todas as coisas sem precisar tomar posse delas.
Você ama o amor, não o delírio de estar apaixonado.
Sinto a harmonia como uma espécie de fascínio pela vida.
É quase uma perda de outros apetites, porque se está tão nutrido pela própria companhia.
E a gente tem aquela vontade súbita de andar pela noite:
não apenas para olhar as estrelas,
mas também para por elas sermos vistos."

(Marla de Queiroz)

"Às vezes dá uma distância. Eu penso coisas banais, eu sinto coisas banais. Mas tão nítidas."

(Caio Fernando Abreu)

‎"Eu prefiro as pessoas que conseguem ver o lado claro das coisas mesmo que todo dia anoiteça.

Gente que se abala com os fatos sim, mas que não quer derrubar a estrutura do outro só pra vê-lo

no mesmo nível em que estão.

Com o tempo a gente aprende que todos têm o ônus e o bônus, mas poucos conseguem carregar dores e doçuras

sem despejar em ninguém suas amarguras.

Eu ainda acredito mais em sonhadores incuráveis do que em caçadores de mágoas."

7 de agosto de 2011


‎"Tenho muita coisa aqui pra te oferecer, mas sabe o que é?
Sou incompleto, também preciso receber."

(Caio Fernando Abreu)

‎"...Eu decidi não lutar mais contra aquilo que não posso mudar.
Certas coisas a gente precisa aceitar sem bater o pé ou fazer cara feia.
Preciso entender que sempre vou sentir diferente dos outros.
Tenho uma intensidade que vive desajustada dentro de mim....
Parei de lutar contra o que não posso mudar.
Larguei minhas armas, mas continuo pronta para a batalha..."

(Clarissa Corrêa)

"Sou dessa leva de gente que tem como sina ver demais
Sentir demais.
Amar quase do tamanho do amor.
Traço de nascença, uma estranha dádiva que,
durante temporadas,
pra facilitar a própria vida,
egoísmo que seja,
a gente tenta disfarçar de tudo que é maneira que aprende.
Mas não tem jeito, nunca terá,
nascer assim é irremediável,
o que é preciso é desaprender o medo."


(Ana Jácomo)

6 de agosto de 2011




"Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado.
Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê.
A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente.
A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias.
É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar a si mesmo.
É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo.
Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram… mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar.
Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?"

(Rita Apoena)

Kelly Clarkson Breakaway (legendado em Português)


Tempos Modernos (Lulu Santos)

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia
Que insiste em nos rodear

Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa
Que isto valha pra qualquer pessoa
Que realizar
A força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não, não não

Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Que não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver
Vamos nos permitir...



"Toca música aqui dentro quase o tempo todo,
e há uma satisfação secreta que precisa se manter secreta
para não passar por boba.
Há crianças e adultos dentro de mim, todos da mesma idade."

(Martha Medeiros)