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30 de maio de 2010

PENSAR É TRANSGREDIR


"Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada.

Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido. Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo. Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano.

Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!" O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente pára pra pensar. Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades.

Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.

Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores.

E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.

Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar. Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual.

É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história.

O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.

Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez.

Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena.

Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer."

Lya Luft

29 de maio de 2010

Do que eu gosto


Maçã do amor, cobertor, por do sol, cheiro de pão, mergulhar, cólo, risadas, banho quente, abraço, torta de morango, filmes de amor, prensadinho, roupa nova, viajar,
Dançar, pantufas, histórias bem contadas, pastel quentinho, espelho, cheiro de café, doce de abóbora, andar de bicileta, parque de diversão, pipoca com melado,
Carinho, passear ao ar livre, cavalos, tudo que é rosa, fotografar, bife acebolado, banho de cachoeira, maquiagem, cheiro de flor, torta fria, desenhar, embalar na rede, ouvir música,
Conversas longas, jantar a luz de velas, unhas vermelhas, suco de abacaxi, festas de aniversário, chimarrão, pijama, plets rosa, compaixão, churrasco de domingo, noite de Natal,
Dormir abraçado, alaminuta com coca, cinema, a praça de Sto Ângelo, céu estrelado, cheiro de bebê, banho de chuva, quentão, gentilezas, batata frita,...

Nossa, tanta coisa!
Tantas sensações positivas e inspiradoras, tantas coisas que simplismente por exisitr já me tornam mais feliz.
Há tanta graça em viver!!

Cansaço


Nunca dei muita importância quando diziam q todo mundo precisa de férias, que descansar é essencial e privar-se disto é perder a sintonia de nós mesmos.

Mas estou começando a achar que depois de um certo tempo, esta verdade torna-se cada vez mais absoluta.

Muitas vezes, adiamos nossos momentos de folga, ou simplismente a substituimos por outros afazeres.

Por que tirar férias do trabalho não implica necessariamente o descanso, a não ser é claro que nos isolemos de tudo e de todos por um tempo, o que hj em dia é quase impossível.

Acho que todo mundo deveria ganhar uma vez por ano um "vale fazer nada" de 1 semana.

Uma semana, só descansando, isolado de tudo e de todos, num lugar de natureza bela e silenciosa, tomando banhos quentes e demorados, se alimentando sem pressa, longe do relógio, telefone, internet e totalmente desligados de todo e qualquer compromisso.

Recebendo massagens relaxantes, ouvindo músicas relaxantes, tudo no maior relax...

Até nos cansarmos desta maré vagarosa e voltarmos revitalizados pra nossa agitada realidade.

É muito bom ter o que fazer, com o que nos preocupar, ter algo que nos impulsione a crescer e querer sempre o melhor.

Mas tem hora que cansa, é tanta coisa na cabeça, tantos medos, preocupações, exigências de todos os lados, que a vontade de fugir as vezes se torna inevitável.

1 semana por ano assim me bastava... Voltaria outra Daniela. Uma Daniela muuito melhor.

Mas enquanto este "vale fazer nada por 1 semana" não chega, devemos tentar reorganizar tudo para que a vida não seja apenas um acúmulo de afazeres e obrigações, e que consigamos arranjar um momento do dia pra nós mesmos.

Um momento de relaxamento e refúgio, seja na hora do banho, no intervalo do almoço, ou meia hora antes de dormir.

Não importa, mas é preciso, realmente preciso...

26 de maio de 2010

Prisioneiros do relógio...




"Me lancei algemas


estou preso em meus medos


Tenho a chave nas mãos


mas a deixo cair entre meus dedos


E não crio um novo mundo…


Todos os dias se seguem


arrastando as mesmas horas


Tenho a impressão de que a novela


sempre repete a mesma história




Ou fui eu quem não mudou de capitulo?..."

25 de maio de 2010


“Eu nunca tive vocação pra alegria tímida,
pra amor mal resolvido,sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e e belo.
Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe,
E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória...
E tenho uma alegria que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida.
Por isso, não me venha com meio-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha a mim com corpo, alma e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros,
mãos massageando o peito ofegante de saudades,
em alegrias explosivas,
em olhares faiscantes,
em sorrisos com os olhos,
em abraços que trazem vida pra gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,
no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades..."

(Maria de Queiroz)

"Roubado" do blog da Beta

ORIGEM DO BLOG


Hoje venho contar quem foram as pessoas responsáveis pela minha vontade de criar este blog.
Na verdade sempre tive a necesidade gritante de expor minhas idéias de alguma forma, só ainda não tinha descoberto como.
Até que um dia vislumbrei o blog da minha conterrânea Beta Nunes, e me apaixonei pelo "recurso". Adorava (e adoro) ler o blog dela, ô menina que fala com o coração!! Também, escritora desde criancinha, o que vcs queriam. Com o seu blog "trocadeafeto", comecei a me encantar com as palavras cheias de sentimento e vida.
Foi aí que conversando via msn (sempre) com minha amiga também blogueira Carla, ela me propôs que eu criasse o meu blog. Será? Pensei...
Estava num momento meio conflituoso, e no meio de outra conversa virtual bastante intrigante (rsrs) com meu amigo Fabrício, me veio a decisão à mente: É ISSO, VOU FAZER UM BLOG!!
E na hora surgiu o dito nome, que vindo de mim não poderia ser diferente: MENTES INQUIETAS!! E quanta inquietude!!!
Um blog pra mim é uma mistura de divã e conversa ao pé do ouvido com o melhor amigo. Aqui escrevo tudo que penso (ou quase tudo), o que me alegra, o que me estressa, o que me faz bem. Poesias, pensamentos, músicas, imagens...
Um universo que se abre e me faz sentir mais feliz e VIVA!!
Obviamente nem de longe tenho alguma pretensão literária, este é apenas um canal de desabafo.
Então tá aí, mais uma invenção da inquieta Daniela, num mundo de maioria plácida!!
Bjss!!

21 de maio de 2010

VAMOS FAZER UM FILME Legião Urbana


"Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um bom exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade

Alguém falou do fim-do-mundo,
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
O sistema é mau, mas minha turma é legal

Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
O sistema é mau, mas minha turma é legal

Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?

Sem essa de que: "Estou sozinho."
Somos muito mais que isso
Somos pingüim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão:
Quero viver a minha vida em paz

Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia."